Associadas, frequentemente, apenas a questões de estéticas, as unhas podem revelar muito mais do que desgaste do quotidiano. Alterações persistentes na cor, brilho, textura ou forma podem refletir desde défices nutricionais e stress até condições sistémicas como problemas cardíacos, pulmonares, hepáticos, diabetes, psoríase ou infeções. Sabia disto? E será que serão muitas as mulheres que estão alerta para os sinais? Compreender os sinais que as suas unhas revelam pode ser determinante para um diagnóstico precoce e para uma maior consciência sobre o seu próprio corpo. Ana Filipe Monteiro, dermatologista na Clínica Mulher, em entrevista.
Quais são os principais sintomas de doenças nas unhas? Que sintomas para que doenças?
As unhas podem ser um sinal muito útil do que se passa no organismo. Alterações de cor, textura, espessura, forma ou crescimento não devem ser ignoradas, porque tanto podem traduzir um problema localizado como refletir uma condição geral de saúde.
Entre os sinais mais frequentes estão unhas mais espessas, quebradiças ou deformadas, descamação, sulcos, dor, descolamento da unha do leito e alterações de cor. Unhas amareladas, espessas e friáveis podem sugerir infeção fúngica. Pequenas depressões na superfície, como se a unha tivesse pequenos orifícios, podem surgir em doenças inflamatórias, como a psoríase. Unhas muito frágeis, que parecem ou lascam facilmente, podem estar relacionadas com agressão repetida, contacto frequente com água e detergentes, défices nutricionais ou alterações sistémicas. Na mulher, há associações particularmente relevantes. Unhas finas, frágeis ou em forma de colher podem surgir em contextos de carência de ferro, muitas vezes, associados a perdas menstruais abundantes ou outras doenças hematológicas. Alterações da tiroide, também frequentes no sexo feminino, podem ref letirse em unhas mais frágeis, mais finas ou com tendência ao descolamento. Em fases de transição hormonal, como a menopausa, a fragilidade ungueal também pode tornar-se mais evidente. Há, ainda, sinais que exigem atenção especial. Uma linha escura nova, sobretudo, se for irregular, assimétrica, mais larga ou estiver a aumentar, deve ser, sempre, observada por um dermatologista, porque é importante excluir melanoma subungueal. O mesmo se aplica a uma unha dolorosa, inflamada, com sangramento ou vermelhidão persistente. Nesses casos, já não estamos perante uma simples alteração estética, mas, sim, perante um sinal clínico que merece avaliação.
As mulheres estão alerta para estes problemas de saúde associados às unhas?






