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Aos 87 anos, Victor Espadinha vai casar-se: “Sinto-me como se tivesse 50”

Afastado da vida pública, Victor Espadinha recorreu às redes sociais, esta quinta-feira, para dar uma justificação aos fãs. O ator, que celebrou em julho o 87.º aniversário, revelou que está de casamento marcado e que se sente como se tivesse 50 anos.

Aos 87 anos, sinto-me como se tivesse 50! Com saúde, feliz, em paz! Não preciso de ninguém, excepto da minha meia dúzia de amigos (poucos, como devem calcular) e, principalmente, dos meus cinco filhos, nove netos, ex-companheiras, e a atual, com quem vivo há mais de 40 anos (vamos casar brevemente)“, confidenciou.

Espadinha esclareceu ainda, em jeito de ironia, a ausência da vida pública. “Quanto à minha ausência do público a quem devo ser quem sou, fiz pouca coisa como ator: recorde de bilheteira na comédia Mostra-me A Tua Piscina, no Teatro Capitólio, em 1975/76. Dois anos a esgotar todos dias! Pouca coisa! Na SIC, cinco anos, de segunda a sexta-feira, Maré Alta, Malucos do Riso, etc. Coisa pouca!“, atirou, acrescentando ainda mais exemplos.

Este texto é uma explicação que devo ao meu caríssimo público, a quem devo tudo o que sou hoje! Eternamente grato. Perdoem-me, mas estou farto! Farto e cansado com o que se passa neste país! Sou um ator, logo, interpreto personagens. Não faço de Victor Espadinha na representação! Vivi muitos anos em Inglaterra, onde estudei e trabalhei, e Alan Bates, um dos maiores actores mundiais, disse-me numa audição: ‘Victor, em Teatro, o cidadão fica em casa! Aqui és o personagem’! Foi uma das duas frases que regeram a minha vida! A outra foi do filósofo Bertrand Russel: ‘Compreendo que um homem goste de outro homem. Não compreendo que um homem não goste de uma mulher!’“, escreveu ainda na mesma publicação.

Victor Espadinha não se ficou por aqui e teceu algumas críticas. “Em Portugal, a maior parte dos atores fazem deles próprios! E quem pode pagar a box para ver representar a sério, vê a Netflix e outros, e abandona os portugueses na ficção, resultando na miséria das audiências que todos conhecemos! Até os espanhóis estão décadas à frente, já para não falar nos ingleses, franceses, suecos, noruegueses, etc. Eu, televisão portuguesa? Só muito bem pago. E com certas condições! TVI? Não trabalho para o CEO Big Brother! Já não ia quando aquilo era dos padres, agora muito menos!“, atirou.

SIC? Deixaram de falar comigo! Não sei porquê! Francisco Pinto Balsemão até foi a primeira pessoa a dar-me trabalho no Diário Popular, quando cheguei da guerra em Moçambique, e nem dinheiro tinha para comer!“, recordou.

RTP? Só como diretor de programas! E, aqui, posso dar a minha palavra de honra que, ao fim de um ano, as audiências subiam ao primeiro lugar. Em relação às outras duas, claro. Mas isto seria um trabalho fácil demais… Obrigado, meu querido público, pela vossa preocupação. Tomara eu que todos os portugueses vivessem como eu! Mansão, jardim, visita dos filhos, netos, amigos e com muita saúde. Que todos vivessem, pelo menos, com um ordenado decente, coisa que nenhum governo, até hoje, conseguiu resolver. Incompetentes! Um abraço do tamanho do mundo“, rematou.

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