Sob a mentoria de Paula Rego, Filipa d’Orey manteve sempre uma carreira coerente e fiel a uma visão muito própria. Expôs no Centro Cultural de Belém, na Cordoaria Nacional, na Sociedade Nacional de Belas Artes, na Fundação Champalimaud e no Centro Cultural de Cascais, com todas as suas coleções integralmente vendidas. Licenciada em Belas-Artes pela Universidade de Lisboa e pós-graduada em Desenvolvimento das Artes Expressivas, construiu, ao longo de duas décadas, uma obra de reconhecimento crescente em Portugal. Em outubro vai internacionalizar a sua carreira, ao expor em Madrid, a coleção ‘Três Filhas’ que está neste momento a terminar. Trata-se de um projeto duplo, pictórico e literário, com curadoria de Zé Ortigão. Inspirada pela sua enteada Carmo e pelas duas filhas, Assunção e Graça, a coleção combina geometria, pastel de óleo, lápis de cor e novas texturas, com ecos discretos de Peter Doig, Klimt e Modigliani, numa linguagem absolutamente própria. O Barrio de Salamanca, será, em outubro, a primeira paragem de uma carreira que se projeta para o mundo.
Durante muitos anos, pintou ao som do fado, da música clássica e da eclética música francesa. Hoje em dia, prefere o silêncio ou os sons da natureza para se concentrar no que sente quanto pinta – uma ligação direta ao sagrado, que transforma a pintura em oração. A fé, a par da família, é a motivação e inspiração para pintar.
Para além da pintura, Filipa Sáragga d’Orey construiu uma carreira sólida na literatura infantil. ‘O Touro e a Bailarina’, e ‘Talvez um Anjo’ são dois dos livros publicados. A segunda obra, apresentada por Laurinda Alves, na Gulbenkian, contou com a atuação de Ana Moura no lançamento. Dos livros seguintes ‘A Princesa Azul e a Felicidade Escondida’ e ‘O Livro das Emoções’ cabe-lhe a honra de integrarem o Plano Nacional de Leitura. O primeiro, cujo prefácio é de António Guterres, foi apresentado na Casa das Estórias de Paula Rego e nele nasceu uma canção de inspiração de José Cid e Tozé Brito. Do segundo, a apresentação ficou a cargo de Assunção Cristas e Nuno Lobo Antunes e teve lugar na Assembleia de República. As obras abordam inclusão, bullying e singularidade – temas que tocam milhares de crianças e educadores.
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