Abrir os olhos debaixo de água, escolher óculos de sol apenas pelo design, sem olhar à proteção, ou expor-se a poeiras são alguns dos erros que cometemos durante o verão e que podem comprometer a saúde da nossa visão.
Os olhos são uma das partes mais sensíveis do rosto e tendemos, ainda assim, a descurar os cuidados necessários, especialmente nos dias de sol. Segundo Victorino Gomes, Optometrista na Optivisão, “no verão, a radiação UV é muito mais intensa, o que significa que os seus olhos estão expostos a uma quantidade considerável de luz ultravioleta nociva”. As consequências podem ir desde fotoceratite (queimadura da córnea) até ao agravamento de patologias, como cataratas e degenerescência macular, além do aparecimento de pterígio e pinguécula — alterações benignas da conjuntiva, membrana que reveste a parte branca dos olhos.
Os adultos devem, ainda, redobrar os cuidados com os mais pequenos, pois os olhos das crianças são mais sensíveis ao sol.
Victorino Gomes, Optometrista na Optivisão
Os olhos são uma zona do nosso rosto bastante sensível. No verão, há cuidados específicos a ter com o sol?
Sim, a radiação UV pode causar fotoceratite (queimadura da córnea), acelerar o desenvolvimento de cataratas e degenerescência macular, e favorecer o aparecimento de pterígio e pinguécula.
Os olhos são realmente uma das partes mais sensíveis da face, mas muitos de nós esquecemo-nos disso, especialmente quando chegam os dias de sol. No verão, a radiação UV é muito mais intensa, o que significa que os seus olhos estão expostos a uma quantidade considerável de luz ultravioleta nociva.
O segredo?
Óculos de sol certificados (sim, aquele certificado CE é importante!) com proteção UV 400, que bloqueiem 100% dos raios UVA e UVB. Parece tecnicamente complicado, mas é assim que os seus olhos ficam realmente protegidos. Não é só sobre parecer bem, é sobre estar bem.
Que cuidados específicos devemos ter com os olhos na praia, na piscina e em atividades ao ar livre?
A praia é um cenário perfeito para férias, mas também é um ambiente “hostil” para os olhos. O vento traz areia (que causa abrasão), a água salgada irrita, e a luz refletida na areia e na água intensifica a exposição UV.
Na piscina é semelhante: o cloro não é amigável com os olhos porque irrita a lágrima e altera o pH natural. Resultado? Olhos vermelhos e irritados.
Se faz atividades aquáticas frequentes (surf, mergulho, natação), invista em óculos de natação certificados. Vale mesmo a pena.
Sendo assim, é aconselhável abrir os olhos debaixo de água?
Não. Nem no mar, nem na piscina.
A água do mar tem teor de sal muito elevado, e a da piscina tem cloro e outros químicos que alteram o pH e a osmolaridade da lágrima. Resultado? Irritação, olho vermelho, e com exposição prolongada, potenciais lesões na superfície ocular. Além disso, na piscina há risco de infeções (conjuntivite bacteriana ou viral).
Se abriu e sente desconforto, lave o olho com soro fisiológico e use lágrima artificial sem conservantes.
O que pode acontecer aos olhos com o contacto frequente com o sal do mar e o cloro da piscina?
Tanto o sal como o cloro irritam significativamente os olhos e alteram o seu ambiente natural. Com o contacto frequente ou prolongado, o mais comum é surgir olho vermelho e lacrimejante, irritação persistente e aquela sensação incómoda de areia nos olhos. Em casos mais graves, podem mesmo ocorrer lesões na superfície ocular, nomeadamente na córnea.
A moral da história é simples: o cloro e o sal não são inimigos, mas exigem cuidado.
Se o fazemos, que cuidados devemos ter posteriormente?
Os cuidados são simples e eficazes. Comece por lavar os olhos com soro fisiológico, para remover o sal ou o cloro residual, e aplique depois uma lágrima artificial sem conservantes, que ajuda a reconstruir o filme lacrimal. Evite coçar os olhos porque quanto mais coça, mais irrita. E se a irritação persistir mais de um ou dois dias, consulte um óptico.
Uma dica prática: leve sempre soro fisiológico e lágrima artificial na mala de praia ou de piscina.
No contexto dos festivais de verão, o que é mais agressivo para os olhos?
É uma boa pergunta, porque num festival os olhos enfrentam tudo ao mesmo tempo. Se pensarmos a longo prazo, o sol é, sem dúvida, o mais agressivo: a radiação UV acumulada ao longo de horas de exposição é aquilo a que costumo chamar o “vilão silencioso”, porque os danos são cumulativos e só se manifestam mais tarde.
No imediato, porém, são a poeira e o vento que mais incomodam, uma vez que provocam abrasão na superfície do olho e aquela sensação desagradável de areia que todos conhecemos. O fumo, por sua vez, irrita as membranas e deixa os olhos vermelhos e lacrimejantes. E há ainda um perigo menos óbvio: os lasers dos espetáculos. Olhar diretamente para um laser pode causar danos oculares sérios, por isso resista à tentação.
Em resumo: o desconforto do momento vem do vento, da poeira e do fumo, mas é o sol que deixa marcas duradouras. Por isso, mesmo em ambiente de festa, os óculos de sol não devem ficar esquecidos.
Que tipo de proteção é mais eficaz nestes ambientes?
Nestes ambientes, a proteção mais eficaz continua a ser um bom par de óculos de sol, escolhidos com critério. O primeiro requisito, e aqui não há margem para negociar, é a proteção UV 400. Depois, para festivais e atividades ao ar livre, recomendo modelos de design envolvente, tipo wraparound, que protegem também lateralmente, por onde a radiação, o vento e as poeiras costumam entrar. E, claro, lentes de qualidade, compradas em óticas e não em feiras.
Deixo ainda um aviso: os óculos “de moda” sem certificação podem ser mais perigosos do que não usar óculos nenhuns. A lente escura faz a pupila dilatar e, sem um verdadeiro filtro UV, acaba por deixar entrar ainda mais radiação prejudicial no interior do olho.
Ao escolher um par de óculos de sol, o que é obrigatório garantir em termos de proteção?
Há três coisas que considero não-negociáveis. A primeira é a marcação CE, presente na lente ou na haste, que confirma que os óculos cumprem as normas de segurança. A segunda é a proteção UV 400, ou seja, o bloqueio de 100% dos raios UVA e UVB. E a terceira é a qualidade da lente: lentes de cores semelhantes podem parecer iguais, mas a proteção que oferecem varia muito.
O design é importante, claro. Mas a proteção é obrigatória, e aqui não vale a pena fazer compromissos.
Como é que sabemos, de forma prática, se os óculos têm proteção UV adequada?
Na prática, deve procurar a marcação CE na lente ou na haste e a indicação UV 400 — ou uma menção clara de que os óculos protegem 100% contra os raios UVA e UVB. E, sempre que possível, compre em óticas certificadas ou lojas especializadas, onde essa informação é verificável.
Desconfie, por outro lado, de óculos vendidos em feiras ou lojas genéricas sem certificação, de marcas que não indicam a proteção UV e de “garantias verbais” — a proteção precisa de estar documentada. Em caso de dúvida, pergunte ao óptico: um bom óptico é o seu melhor aliado.
Os olhos das crianças são mais sensíveis ao sol do que os dos adultos?
Absolutamente, sim. O cristalino infantil é mais transparente e propenso a deixar passar mais radiação para dentro do olho. Além disso, estão em fase de crescimento e o sistema imunológico ocular ainda está a desenvolver-se.
Resultado: Crianças precisam de mais proteção que adultos. Não é exagero, é ciência.
A partir de que idade recomenda o uso de óculos de sol nas crianças?
Desde que nascem, se tiverem exposição solar direta e prolongada:
- Para bebés e crianças pequenas (<3 anos): chapéu com abas + limitar exposição direta.
- A partir dos 3-4 anos: Óculos de sol certificados, sempre que haja exposição direta prolongada.
Importante: Consulte sempre um profissional antes de administrar óculos a uma criança porque se podem verificar contraindicações médicas.
Que conselhos deixa aos pais para protegerem a visão dos filhos?
Deixo cinco conselhos de ouro. Comprem os óculos em óticas certificadas, e não em feiras — é a única forma de garantir que cumprem as normas de proteção. Complementem com chapéu ou boné, que reduz a exposição lateral, e evitem as horas de maior intensidade solar, entre as 11h e as 16h. Mantenham os olhos hidratados, recorrendo à lágrima artificial se notarem secura. E, se a criança se queixar de algum incómodo visual, consultem um óptico sem demora.
Lembrem-se: os olhos deles hoje determinam a visão deles amanhã.
Quais os sinais de alerta que não devemos ignorar? Que sintomas justificam uma ida urgente ao oftalmologista/optometrista?
Há sinais que justificam uma ida urgente ao oftalmologista ou optometrista: dor ocular intensa ou súbita, visão turva persistente ou perda súbita de visão, vermelhidão intensa que não melhora, sobretudo se acompanhada de dor, fotofobia intensa, isto é, uma sensibilidade extrema à luz, secreção purulenta ou qualquer trauma ocular, como uma pancada ou um arranhão.
Perante qualquer um destes sintomas, não deixe “passar”! Os olhos são preciosos e merecem cuidado imediato.





