Home / Opinião / A amizade também é uma forma de cuidar da saúde mental

A amizade também é uma forma de cuidar da saúde mental

Precisamos de relações significativas para florescer. Não apenas relações românticas ou familiares, mas também amizades onde sentimos que podemos ser autênticos, imperfeitos e humanos.

Quando estamos com pessoas em quem confiamos, o nosso sistema nervoso tende a sentir-se mais seguro. Rimos mais, regulamos melhor as emoções e até o stress parece menos pesado quando existe alguém disposto a ouvir-nos sem transformar tudo numa competição sobre quem está mais cansado.  Aliás, a ciência mostra que relações de amizade de qualidade estão associadas a menor risco de ansiedade e depressão, maior sensação de bem-estar e até melhores indicadores de saúde física. Não é magia. É – pura – biologia.

Conversas significativas, gargalhadas sinceras e momentos de proximidade promovem a libertação de substâncias como a oxitocina, frequentemente associada aos vínculos afetivos e à sensação de segurança. Curiosamente, nem sempre precisamos dos amigos para resolver problemas. Muitas vezes precisamos apenas que estejam presentes.

Existe uma enorme diferença entre ouvir “isso não é nada” e ouvir “consigo imaginar como isso deve estar a ser difícil para ti”. Uma amizade saudável não elimina a dor, mas impede que a atravessemos sozinhos.

Também é importante desmistificar uma ideia: ter muitos amigos não significa, necessariamente, ter uma boa rede de suporte. Vivemos numa época em que podemos ter milhares de seguidores e, ainda assim, sentir-nos profundamente sós. A qualidade continua a valer mais do que a quantidade.

Talvez, por isso, à medida que crescemos, a lista de contactos aumente, mas o círculo de confiança se torne mais pequeno, e isso não é um fracasso social. Muitas vezes, é um sinal de maior clareza sobre quem somos na nossa versão atual, e daquilo de que realmente precisamos.

As amizades também exigem cuidado. Tal como qualquer relação importante, precisam de tempo, disponibilidade, curiosidade e presença. Não vivem apenas de mensagens ocasionais enviadas às onze da noite a perguntar “Temos mesmo de marcar um café”, sabendo perfeitamente que ambas as agendas parecem um puzzle impossível.

Por vezes basta uma chamada, um passeio, uma pergunta genuína ou um almoço sem telemóveis em cima da mesa. São esses pequenos gestos que mantêm as relações vivas.

Neste Dia Internacional do Amigo, a melhor homenagem pode não passar, necessariamente, por publicar uma fotografia antiga nas redes sociais — embora também possa fazê-lo.

Experimente sobretudo enviar uma mensagem àquela pessoa que faz a vida parecer um pouco mais leve. Àquela que conhece os seus silêncios, celebra as suas conquistas sem inveja e que a recorda de quem é quando até você própria se esquece.

Porque, no fim de contas, uma boa amizade é um dos lugares mais seguros onde a mente pode descansar. E, convenhamos, todos precisamos de, pelo menos, uma pessoa que nos diga a verdade, nos faça rir em dias desafiantes e saiba exatamente porque é que aquela história continua a ser embaraçosa… mesmo passados dez anos.


Helena Paixão

Psicóloga Clínica

Founder & CEO da Clínica Helena Paixão – Psicologia, Mindfulness e Desenvolvimento Pessoal

-Contactos-

https://www.instagram.com/helenapaixao.psicologa/

www.helenapaixao.com

Marcado: