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Fomos à Taverna do Pescador comer marisco com as mãos. Será que ficámos fãs do viral seafood boil?

Quem passa algum tempo nas redes sociais, certamente já se terá deparado com alguns vídeos de marisco servido de uma forma pouco convencional. A comida chega à mesa dentro de um saco de plástico, é despejada diretamente sobre a toalha e é comida com as mãos. E se é louco por esta iguaria, temos boas notícias porque já não precisa de viajar para os Estados Unidos para provar o conceito ou ficar a olhar para o ecrã do telemóvel a babar-se. A experiência chegou a Lisboa.

Sim, leu bem. A Taverna do Pescador é o primeiro restaurante a trazer o conceito de seafood boil para a capital. “Em Lisboa não encontrámos nenhum restaurante com o conceito de seafood boil, e como Portugal já é conhecido pelos mariscos, com um dos melhores mariscos do mundo, tivemos esta ideia e deu certo”, começa por explicar Erizaldo Machado, um dos gerentes da Taverna do Pescador, em entrevista à MAGG.

Taverna do Pescador. Neste restaurante, o marisco é comida com as mãos, tal como nos EUA. Conceito é viral nas redes sociais
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Nos Estados Unidos, o seafood boil – “uma maneira de servir diferente que tem chamado à atenção”, como descreve o gerente – é servido com molho de manteiga com alho. Contudo, este restaurante decidiu dar um toque nacional e introduzir alguns molhos com sabores portugueses, que se juntam a mariscos também nacionais.

Na Taverna do Pescador, a experiência pode ser personalizada e divide-se em três combos. Existem três opções de menus com camarão, camarão tigre, peito de caranguejo, lingueirão, sapateira, lula, vieira, lagosta e mexilhão. A acompanhar há batata, milho, ovo e até salsicha. E sim, é tudo despejado sobre a mesa, tal como manda o conceito viral, sendo que o espaço também disponibiliza luvas e um babete para não se sujar (ou tentar, pelo menos).

Depois de selecionar a opção e antes de ser colocado num saco selado para concentrar os sabores, tudo é cozinhado num dos quatro molhos disponíveis, entre eles o português com alho, manteiga e ervas, picante, extra picante ou lemon pepper.

Para complementar, pode adicionar um molho extra (0,50€) ou mais marisco, entre eles camarão (69,90€), mexilhão (69,90€), lingueirão (59,90€), sapateira (33,99€), camarão tigre (109,99€), lula (49,90€), lagosta (130€) ou king crab (230€), sendo que o preço é por quilograma.

Esta proposta está disponível diariamente na Taverna do Pescador, entre as 11 horas e a 1 da manhã, sendo que as três opções de menu têm preços de 39,90€, 69,90€ e 149,99€. Apesar de o restaurante ter uma esplanada, é recomendável comer no interior do espaço para o marisco não arrefecer. Face à grande procura, deverá fazer uma reserva, por exemplo, através do TheFork, Google ou por Instagram.

Entre luvas, babetes e muito marisco, como correu a nossa experiência?

Apesar de ser recomendado comer no interior do espaço para o marisco não arrefecer, decidimos desafiar as odes e aproveitar a esplanada. Assim que nos sentámos, a experiência começa ao proteger a mesa com toalhas. Também recebemos um pequeno kit para nos auxiliar nesta aventura composto por luvas, babete, bem como um martelo e dois alicates para arranjar a lagosta e a sapateira, que vieram inteiras.

Depois, finalmente chegou o momento mais esperado. A comida chegou dentro de um saco de plástico, num balde, e foi despejada sobre a mesa, sempre com o devido cuidado para não salpicar nem uma pinga. Posto isto, foi altura de colocar as luvas e o babete, e entrar em ação.

E só há uma maneira correta para viver esta experiência ao máximo: deixar os formalismos e a etiqueta de lado, esquecer as pessoas à volta, que ficam hipnotizadas pela experiência, e meter as mãos na massa – ou neste caso, no marisco, que chegou bem quentinho à mesa, acompanhado por arroz e pão. E foi exatamente isso que fizemos.

A MAGG optou por escolher o pack Atlântico do Mar (69,99€), que, sendo para partilhar, inclui camarão, mexilhão, lingueirão, peito de caranguejo, sapateira, lula, lagosta, batata, milho, ovo e salsicha. Este pack inclui dois molhos à escolha. Como não somos muito fãs de picante, optámos pelo clássico molho português com alho, manteiga e ervas, que ficou ótimo com o camarão, e ainda o lemon pepper – bastante fresco e cítrico –, que fez o par perfeito com a lagosta e a sapateira.

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O primeiro ponto a salientar são as luvas, que não eram grande coisa a nível de qualidade. É que, ainda que percebamos que isto possa ter que ver com a questão de facilitar os movimentos, são demasiado finas, pelo que, assim que as tirámos depois de terminar a refeição, as mãos estavam mais sujas do que esperávamos (sim, porque também não somos puristas e nunca achámos que fôssemos sair com elas absolutamente imaculadas).

Além disso, tivemos alguma dificuldade em arranjar o camarão com elas, uma vez que são grandes demais e o camarão era mais miudinho. Ter dois tamanhos deste acessório indispensável, um mais pequeno e outro maior, pode ser algo a ter em conta futuramente. Um ponto positivo a notar é que, logo ao início, foram-nos concedidos vários pares, o que significa que pode ir trocando ao longo da refeição.

Quanto às ferramentas, por vezes as luvas não facilitavam o manuseamento das mesmas, mas, felizmente, tínhamos outra pessoa na mesa mais experiente no assunto e que nos auxiliou.

No que toca à comida, foi um misto de sensações. Se por um lado os camarões, mexilhões e lingueirões estavam de comer e chorar por mais, por outro achámos que a lagosta estava demasiado passada. Já a sapateira estava deliciosa, enquanto algumas amêijoas vinham fechadas.

Para acompanhar, o pack inclui ovo, bem como batata, que a nosso ver, podia vir em menos quantidade, sendo que já tínhamos arroz e pão – na nossa opinião, estava demasiado torrado. Esta experiência, pelo menos a nível pessoal, pedia aquele pão fofinho e leve para mergulhar nos molhos.

À semelhança do conceito nos Estados Unidos, havia ainda salsicha a acompanhar, que surpreendentemente combinou bem com o marisco. Contudo, embora também não seja esse o foco da experiência, sentimos que chegou numa quantidade insuficiente (duas rodelas, mais precisamente). Quanto ao milho, se incialmente duvidámos do seu potencial e até questionámos se iria encaixar com o resto dos alimentos, no final ficámos completamente rendidos à delícia que se revelou.

Certamente esta não será a refeição mais elegante que irá comer na vida, mas sem dúvida que estará no top de experiências diferentes e ficará na memória. Apesar dos pontos a melhorar, vale a pena puxar os cordões à bolsa e experimentar este conceito, afinal de contas o seafood boil é tão viral por alguma razão. 

Depois desta experiência, não resistimos ao terminar a noite com um docinho. Provámos o leite de creme (8,90€), que nos agradou bastante, se bem que não temos palavras para descrever o cheesecake de frutos vermelhos (7,90€), que nos conquistou a cada garfada (e atrevemo-nos a dizer que foi um dos melhores que já comemos). Também pode comer surpresa de Ferrero Rocher (8,90€), petit gateau de chocolate (8,90€), tarte de limão (6,90€) e mousse de chocolate (6,90€). A refeição foi acompanhada por Vinha Grande Branco 2024, um pairing que fez todo o sentido.

Taverna do Pescador

Morada: Rua da Assunção, 91 1100-062, Lisboa

Horário: Todos os dias das 10h às 1h

Contactos: 935 202 677 /  Instagram / Site

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