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FOMO: a sensação de que toda a gente está a viver a vida dos nossos sonhos (menos nós)

Abre o Instagram só para responder a uma mensagem. Cinco minutos depois, já viu alguém num sunset em Ibiza, outra pessoa a experimentar o restaurante mais falado do momento, uma amiga num festival, um casal em Bali e alguém que, aparentemente, conseguiu fazer pilates às sete da manhã sem parecer que passou a noite acordado.

Entretanto, você está no sofá, de pijama, a tentar decidir se ainda vale a pena pedir jantar ou simplesmente “atacar” as bolachas da despensa.

Bem-vindo ao FOMO.

A sigla significa Fear of Missing Out, ou, em bom português, o medo de estarmos a perder alguma coisa importante. Não é propriamente um diagnóstico, nem uma perturbação psicológica, mas é uma experiência muito comum na sociedade atual, especialmente numa era em que temos acesso, em tempo real, aos melhores momentos da vida de centenas de pessoas.

O curioso é que o FOMO não nasce apenas daquilo que os outros fazem, nasce sobretudo da interpretação que fazemos dessas imagens. O nosso cérebro adora comparar. É um mecanismo antigo, que nos ajudava a perceber o nosso lugar dentro do grupo. O desafio é que, hoje, o “grupo” já não são apenas as pessoas da família ou os colegas de trabalho, são centenas — por vezes milhares — de pessoas cuidadosamente selecionadas pelo algoritmo para parecerem felizes, produtivas, bonitas, bem-sucedidas e, claro, sempre muito ocupadas.

O cérebro esquece-se facilmente de um pequeno detalhe: ninguém publica a fila do supermercado, a discussão antes do jantar, a roupa para passar ou a ansiedade da segunda-feira de manhã. Comparar, então, a nossa vida completa com o resumo dos melhores momentos dos outros é uma comparação profundamente injusta.

Do ponto de vista psicológico, sabemos que o FOMO está associado a níveis mais elevados de ansiedade, menor satisfação com a vida e maior dificuldade em permanecer presente. Quanto mais sentimos que existe sempre algo melhor a acontecer noutro lugar, mais difícil se torna aproveitar aquilo que estamos efetivamente a viver. É como estar num concerto a pensar na festa onde não fomos ou estar de férias a ver as férias dos outros. No fundo, estamos fisicamente num lugar e mentalmente em vários.

Existe ainda outro fenómeno curioso: quanto mais tentamos não perder nada, mais acabamos por perder precisamente aquilo que temos à nossa frente.

Já reparou como, por vezes, passamos um jantar inteiro a fotografá-lo em vez de o viver?

A necessidade constante de acompanhar tudo cria uma ilusão de controlo, mas aumenta a sensação de insuficiência. Parece que há sempre mais um evento, mais uma viagem, mais um plano, mais uma oportunidade que deveríamos estar a aproveitar.

A boa notícia é que o FOMO não desaparece quando começamos a fazer mais coisas, começa a diluir-se quando deixamos de acreditar que precisamos de viver tudo ao mesmo tempo.

Aceitar que cada escolha implica uma renúncia é um exercício de maturidade psicológica. Sempre que dizemos “sim” a um plano, estamos inevitavelmente a dizer “não” a outro, e isso não significa que estejamos a viver menos, apenas que estamos a viver uma vida, e não todas ao mesmo tempo.

Vale também a pena fazer uma pequena auditoria às redes sociais. Há perfis que inspiram e há perfis que apenas nos deixam a sensação de que estamos sempre atrasados na corrida da vida. O problema nem sempre está nas redes sociais, pode estar na forma como nos sentimos depois de as utilizar.

Experimente fazer esta pergunta a si próprio: “Saio daqui mais leve ou mais ansioso?”

Se a resposta for quase sempre a segunda, talvez esteja na altura de reorganizar o feed com o mesmo cuidado com que organizamos a casa.

E depois existe o antídoto mais simples e, ironicamente, um dos mais difíceis: estar presente.

A felicidade raramente acontece enquanto estamos a pensar no que os outros estão a fazer. Acontece quando conseguimos reparar na conversa à mesa, no mergulho inesperado, na gargalhada espontânea ou naquele café sem fotografias, mas cheio de significado.

Vale a pensa nos lembrarmos que a verdadeira liberdade não reside em conseguir estar em todo o lado, mas sim em sentir que o lugar onde está, neste momento, é suficiente.

Cinco formas de não deixar que a FOMO mande na sua agenda (e na sua paz de espírito)

1. Lembre-se de que as redes sociais mostram os destaques, não os bastidores

Enquanto está a ver um jantar perfeito, uma viagem incrível ou uma festa memorável, não está a ver o cansaço, os momentos aborrecidos ou os problemas que também fazem parte da vida real. Comparar a nossa vida inteira com os melhores momentos dos outros é uma batalha injusta.

2. Troque a pergunta “O que estou a perder?” por “O que estou a ganhar?”

Sempre que disser não a um plano, está provavelmente a dizer sim a outra coisa: descanso, tempo de qualidade, autocuidado, família ou simplesmente a uma noite tranquila no sofá. Nem todas as escolhas precisam de ser excitantes para serem valiosas.

3. Faça pausas conscientes das redes sociais

Não é preciso desaparecer da internet, mas criar momentos do dia sem notificações e sem scroll infinito ajuda o cérebro a sair do modo de comparação constante e a regressar ao momento presente.

4. Escolha com intenção, não por impulso

Nem todos os convites merecem um “sim”. Antes de aceitar um plano, pergunta-se: “Quero mesmo ir ou tenho medo de ficar de fora?” A resposta pode revelar muito sobre as suas motivações.

5. Cultive a arte de estar onde está

A atenção plena é um dos melhores antídotos para a FOMO. Quando estamos totalmente presentes numa conversa, num passeio, num jantar ou até numa tarde sem fazer nada, reduzimos a tendência para pensar no que poderia estar a acontecer noutro lugar.


Helena Paixão

Psicóloga Clínica

Founder & CEO da Clínica Helena Paixão – Psicologia, Mindfulness e Desenvolvimento Pessoal

-Contactos-

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www.helenapaixao.com

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